Olá, estranha,

Como vai você?

Cheia de novidades, suponho. Mais de três anos se passaram. Reparou?

Encontrei sua família na rua dia desses. Fiquei feliz em vê-los. É sempre bom ter notícias de velhos amigos.

Na verdade, até nos dias em que te avistei de relance por aí, me senti bem. É reconfortante saber que você está ok, que sobrevive. Eu também, obrigada, caso queira saber.

Onde foi mesmo que a gente se perdeu? Continuar lendo

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garrafa

A.,

Sei que disse que a correspondência do mês passado seria a última e você deve ter suspirado de alívio pelo meu amor não ser mais seu. Por isso envio este rascunho mar adentro, Atlântico afora. Na esperança de que as ondas, discretamente e mais uma vez, extraviem o que restou de nós. Além disso, convenhamos, você nunca leva a sério o que eu digo. No fim, não adianta, você ainda tem dois terços do meu carinho. Os dias correm bem mais depressa que o esquecimento. E, às vezes, sinto sua falta. Continuar lendo

querido Chico,

Apesar de você, dela e de tudo o mais, todos os dias, o dia raia sem nos pedir licença.

Eu sei que ela inventou esse seu estado, “inventou de inventar toda a escuridão”. Mas a vida também é boa de invenções e inventou que as manhãs sempre têm que amanhecer cheias de luz. Nessa hora, as pessoas ainda estão sonolentas demais para tentar proibir o galo, que insiste em cantar.

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