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Hoje passei por aquele lugar onde prometi voltar só se fosse ao seu lado e pensei em parar. É meu lugar preferido na cidade. E, como todos os outros, me lembra você.

É segredo. Mas, desde que você surgiu na minha história – e muito pouco permaneceu – cada esboço das esquinas que o Planalto Central não tem são uma saudade de nós. Continuar lendo

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quase música

Eu queria te escrever. Em uma carta, num poema ou em um bilhete de letras miúdas que eu colocaria meio sem querer no bolso do seu jeans surrado e, quando você descobrisse, alegaria, sem graça, que achei que você devia saber o que significa para mim. Para aliviar meu coração e inflar sua vaidade. Aí pensei dois instantes mais e ri. Que besteira! Você não precisa estar escrito em canto algum para aliviar meu coração, você só precisa estar. Aqui. De preferência, comigo. Isso alivia meu mundo inteiro. Continuar lendo

dor no joelho e outras hipóteses

As horas desfilam, ousadas, bem diante do meu nariz. Entramos juntas – e completamente independentes da minha vontade – em um túnel, acompanhadas da maior naturalidade que o tempo insiste em ter, rumo ao dia de amanhã. Amanhã é um grande dia. Sempre é. A gente investe todas as expectativas no futuro. Sabe como é, gente e suas manias de acreditar no que há de vir. Continuar lendo

arrependimento

Enfiou as mãos nos bolsos da calça, angustiada. Pensou em segurar um copo em uma mão e, sei lá, um cigarro na outra. Não que já tivesse fumado alguma vez na vida. Só queria parecer mais confiante. As pessoas precisam sempre segurar firme, com as duas mãos, em qualquer coisa, para simular o mínimo de domínio sobre a situação. Ou sobre si mesmos.

Na falta de copos e cigarros, escondeu o nervosismo dentro da roupa e respirou bem fundo. Continuar lendo

pretérito imperfeito

É boa esta sensação de coração apertado, querendo dar meia volta, que a gente leva quando vai embora. Devem ser os tais momentos que se eternizam porque terminam na melhor parte. Sei lá, acho meio ruim ser a última a sair da festa. Não me dou muito bem com o vazio e sempre resta só ele para acompanhar quem fica para apagar as luzes. Continuar lendo

primeiros capítulos

Então o rapaz, que parecia mais interessado nele do que nela, organizou a gola de sua camisa azul-marinho, armou um sorriso e se aproximou. Perguntou, firme:
– Vocês são namorados?
Eles se olharam, segurando o riso, meio confusos.
– Não – respondeu ela, visivelmente se divertindo com a situação.
Ele tentou explicar em poucas palavras. Mas não era muito fácil de entender. Não que eles fossem difíceis juntos, muito pelo contrário, aquilo tudo entre os dois acontecia com a maior espontaneidade e era bom. Isso que era difícil de entender e – muito mais – de explicar. Continuar lendo