fim de linha

Acabou.

Passados 8 meses e 8 dias, 34 cidades, 23 voos, 15 trens, 7 saudades e incalculáveis histórias para contar, eu vi lá do alto Brasília mostrar suas asas. A janela do avião era pequenina e por ela eu não conseguiria arremessar todo este mundo de emoções que fui recolhendo por aí e agora carrego em mim. Ou, vai ver, sempre carreguei, porque, no fim, percebi que eu chegava tão cheia de medos quanto no dia em que fui embora.

Continuar lendo

o que realmente importa

No verão, o céu amanhece invariavelmente azul na Itália. É um cenário e tanto para que o começo do fim deste período de minha vida se desenrole. Não sei se é bom ou ruim, mas os dias nunca param de nos surpreender. Se me perguntarem qual foi o fato mais inesperado desta viagem, que ainda não acabou, eu não saberia escolher um só. Ser abrigada em Milão quando achava que ia dormir na rua? Não. Talvez a ironia daquilo que chamam de destino – e que eu nem acredito que exista, eu acho – de protagonazir minha própria tragédia amorosa em Verona. Quem sabe, tomar um porre às 4h da tarde em Veneza e, como se não bastasse, usar a fonte da praça de chuveiro. Subir no topo de uma montanha? Continuar lendo

Calçada do Duque, 53

Viajar é mais do que comprar uma passagem de ida e, nem sempre, outra de volta em uma companhia lowcost com boas promoções. Isso é o que meu pai fala toda vez que o extrato do cartão de crédito entrega meus planos de viagem. A gente tem que comer, reservar uns trocados para o turismo e, no fim do dia ou da noite – dependendo das prioridades do sujeito –, dormir. De preferência, não embaixo da ponte. Continuar lendo

rastro de loucura

Sabe aquela coragem que ninguém tem muita certeza se é coragem mesmo ou se é um surto leviano da mais pura loucura? Sair de casa arrastando alguns quilos de roupas, uma bagagem de 20 e poucos anos nas costas, tentando deixar para trás um saco sem fundo de sentimentos, é uma loucura das mais corajosas. Continuar lendo

erros de percurso

Na maioria dos dias que compõe a história de nossas vidas, de manhã, ao abrir os olhos para o que há de vir, já temos uma breve noção de como decorrerão as horas seguintes. Sabe, isso se chama rotina. Nos dias normais.

Durante viagens, chama-se planejamento.

Mas naquela tarde, de cima do viaduto, naquela encruzilhada entre a estrada que leva à Madrid e as placas que apontam para o centro de Barcelona, eu não fazia a menor ideia de como ia acabar meu dia.

Continuar lendo