o que há

Voltou-se para ele, com ar desolado:

– O que vai ser de nós? – suspiro – O que aconteceu com a gente?

– Não sei. Aconteceu alguma coisa com a gente?

– Sim. Quer dizer, não entre a gente. Mas com nós dois, separadamente.

Ele fita o asfalto molhado, refletindo, pelas luzes dos carros, o vazio que dá na alma dos outros em um domingo à noite. Não na dele, por não acreditar em alma. Ou porque, caso tenha uma, ela se mantém vazia indepente do dia da semana. Responde, com calma: Continuar lendo

tudo passa

Os dias já consumiram dois terços de março. O tempo passa discreto e calado. Li, certa vez, que ele é como um rio, que leva as horas no embalo suave de suas águas. Veloz e quase imperceptível. Em março, as águas desabam incessantes, em todo lugar. Sorte a minha. Assim, quase acredito que você também vai passar rápido. Além disso, não importa muito a vegetação do lugar, todo o mundo se renova com o outono. No Cerrado, a seca de abril seca até os amores.

Mas eu não quero esperar setembro para florescer, tal qual um ipê-amarelo.

No mais, quer saber? Eu não sei o que. Só sei que quero você. Continuar lendo

dor no joelho e outras hipóteses

As horas desfilam, ousadas, bem diante do meu nariz. Entramos juntas – e completamente independentes da minha vontade – em um túnel, acompanhadas da maior naturalidade que o tempo insiste em ter, rumo ao dia de amanhã. Amanhã é um grande dia. Sempre é. A gente investe todas as expectativas no futuro. Sabe como é, gente e suas manias de acreditar no que há de vir. Continuar lendo

tomate azedo

Hoje fui pedir um sanduíche num restaurante e me deparei com o velho dilema do tomate. É sempre assim. Levo de 5 a 10 minutos para decidir. Com ou sem tomate? Com ou sem tomate? Sem tomate é mais em conta, responde o bolso. Mas com, é mais gostoso – contra-ataca algum outro elemento ainda não identificado nem definido e que, mesmo assim, sempre pesa mais do que todos os outros somados. Eu, invariavelmente, levo o prato com tomate. Continuar lendo