Olá, estranha,

Como vai você?

Cheia de novidades, suponho. Mais de três anos se passaram. Reparou?

Encontrei sua família na rua dia desses. Fiquei feliz em vê-los. É sempre bom ter notícias de velhos amigos.

Na verdade, até nos dias em que te avistei de relance por aí, me senti bem. É reconfortante saber que você está ok, que sobrevive. Eu também, obrigada, caso queira saber.

Onde foi mesmo que a gente se perdeu? Continuar lendo

garrafa

A.,

Sei que disse que a correspondência do mês passado seria a última e você deve ter suspirado de alívio pelo meu amor não ser mais seu. Por isso envio este rascunho mar adentro, Atlântico afora. Na esperança de que as ondas, discretamente e mais uma vez, extraviem o que restou de nós. Além disso, convenhamos, você nunca leva a sério o que eu digo. No fim, não adianta, você ainda tem dois terços do meu carinho. Os dias correm bem mais depressa que o esquecimento. E, às vezes, sinto sua falta. Continuar lendo

Rascunhos (1)

Desculpe encher sua caixa de e-mails com todas as minhas confusões. Desculpe, aliás, por ainda usar esta ferramenta arcaica pré era digital para te importunar. Eu poderia ser singelo e resumir minhas intenções em um SMS ou em qualquer desses métodos de bate-papo virtuais que andam por aí consumindo a realidade. Mas, você bem sabe, nem eu sei quais são minhas intenções. Continuar lendo

(1091)

Hoje passei por aquele lugar onde prometi voltar só se fosse ao seu lado e pensei em parar. É meu lugar preferido na cidade. E, como todos os outros, me lembra você.

É segredo. Mas, desde que você surgiu na minha história – e muito pouco permaneceu – cada esboço das esquinas que o Planalto Central não tem são uma saudade de nós. Continuar lendo

quase música

Eu queria te escrever. Em uma carta, num poema ou em um bilhete de letras miúdas que eu colocaria meio sem querer no bolso do seu jeans surrado e, quando você descobrisse, alegaria, sem graça, que achei que você devia saber o que significa para mim. Para aliviar meu coração e inflar sua vaidade. Aí pensei dois instantes mais e ri. Que besteira! Você não precisa estar escrito em canto algum para aliviar meu coração, você só precisa estar. Aqui. De preferência, comigo. Isso alivia meu mundo inteiro. Continuar lendo

cartão postal

Ontem,

A caixa de correio trouxe, enfim, notícias do seu tempo. Agradeço as palavras de conforto. Mas preciso observar que você se engana ao julgar que espero que a vida faça sentido. Podia ser isso mesmo, naqueles dias. Hoje, só tenho esperado pelo abstrato. A total falta de qualquer um dos meus seis sentidos. Eu quero me perder.

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