madrugada

Não sei qual é meu problema. Toda noite de programações vazias e pouco excitantes – ou mesmo nas mais conturbadas, só que você não precisa saber disso –, minha boca sussura para minhas mãos que elas agarrem o telefone. Os dedos discam, compulsivos, aquela sequência numérica que me transmite até você.

Os olhos esperam apreensivos qualquer sinal da sua voz. Quando você, enfim, atende, os ouvidos suspiram aliviados.

É que meu corpo inteiro quer o teu.

Acho que não tem nada a ver com o coração. Muito menos com o cérebro. Tem a ver com as pernas. Elas que ficam bambas, coitadas. Com o estômago, que contrai. Os poros, que transpiram. A pele, os pelos. Os sentidos, um por um.

Às vezes, quando o serviço das ondas eletromagnéticas está congestionado, a gente usa a transmissão de pensamento.

Eu vou parar na sua porta. De qualquer maneira.

Sei lá, deveria existir uma lei para impedir gente como eu de pegar no volante quando a gente se embebeda da mais impura teimosia de querer ver gente como você. E tocar, e sentir, e mais um bando de ações que não cabem aqui.

Se uma blitz me parasse, eu sairia de camburão sem nem soprar o bafômetro. Você me faz extrapolar os níveis permitidos de todos os estágios, exceto a sobriedade. Me deixa eufórico. Causa excitação. Confusão. Estupor. Um desconforto incomodo que os desavisados conhecem por paixão mas, juro, deve ser uma doença das graves. Eu espero não estar com os sintomas.

Ficar mais um dia sem você me deixaria em coma. Ter você por mais um dia é morte na certa.

Eu odeio isso. Odeio a consciência que você tem de que pode me matar da forma mais sublime à mais cruel. Com você, eu vivo morrendo de medo, de alegria, de desejo, de rir. Duas ou três vezes, morri de tristeza. Hoje, estou morrendo de saudade.

Não quero exaltar seu egotismo. Até porque, eu nem sei muito bem o que temos aqui. Mas, seja lá o que for, eu gosto.

Só vou torcer para não ser aquela palavra de quatro letras que os outros – não a gente – insistem em passar a vida procurando e idolatrando. Sabe? Aquela assustadora e extremamente banalizada palavra que está em 97% dos títulos traduzidos de comédias românticas. Talvez esteja meio tarde para eu me preocupar com isso, né?

Sim, está tarde. Eu não deveria bater na sua porta a uma hora dessas. Não sei. Melhor apertar a campainha, para perguntar o que você faria no meu lugar.

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resposta

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